Introdução a Gênesis 18 comentado
O capítulo 18 de Gênesis relata uma teofania — uma manifestação divina — na qual Deus revela a Abraão Seus planos de juízo contra Sodoma. O patriarca, então, intercede fervorosamente pela cidade. Sodoma era notória por ser a mais rica e poderosa da região, e foi justamente essa abundância material que levou à corrupção de seus habitantes. Este episódio bíblico ilustra um tema recorrente: a prosperidade e a riqueza (o "ouro e a prata") frequentemente têm o poder de corromper o coração humano.
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| O fim de Sodoma - Gênesis 18 |
Gênesis 18 comentado
GEN 18:1 E apareceu-lhe o SENHOR nos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta de sua tenda no calor do dia.
GEN
18:2 E levantou seus olhos e olhou, e eis que três homens que estavam
junto a ele: e quando os viu, saiu correndo da porta de sua tenda a
recebê-los, e inclinou-se até a terra.
Abraão estava sentado à porta de sua tenda e viu três anjos do Senhor. Para entender essa passagem e todo o Gênesis 18, é importante que tenhamos algo em mente: Deus é Espírito, então não pode ser visto a olho nu. Sabemos que existem, sim, aparições de anjos, aparições de Deus e seres espirituais, mas nenhum homem viu Deus. O que de fato os homens veem são "teofanias". Isso porque Deus se manifesta através de teofanias em todo o Velho Testamento. O que significa que Deus se manifestava em um anjo, outra hora com Moisés, o Senhor era fogo, em outro momento era uma nuvem. E dessa forma os homens tiveram acesso à "presença do Deus verdadeiro". Algo espiritual, que não é algo que possa explicar-se apenas em palavras. É necessário ter uma vida espiritual e uma relação com Deus para entender.
Para entender melhor o que é teofania, vou explicar detalhadamente o conceito:
Teofania é um conceito de cunho teológico que significa a manifestação de Deus em algum lugar, coisa ou pessoa. Tem sua etimologia enraizada na língua grega: "theopháneia" ou "theophanía". O termo, que por sua vez é uma palavra composta por dois vocábulos, também gregos: Théos, "Deus", e phanei, "aparecer". É uma revelação ou manifestação sensível da glória de Deus, ou através de um anjo, algo surreal, ou através de fenômenos impressionantes da natureza. Também é chamada de aparição. Deus usa desse método para aparecer a alguém em especial, para mostrar ou revelar fatos do presente ou do futuro.
GEN 18:3 E disse: Senhor, se agora achei favor aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo.
GEN 18:4 Que se traga agora um pouco de água, e lavai vossos pés; e recostai-vos debaixo de uma árvore,
Os mensageiros de Deus, ou mesmo o próprio Senhor, passavam por ali. Abraão, como um servo fiel, não poderia deixar essa oportunidade passar, mas o ato vai além da cortesia pessoal: ele representa uma tradição hebraica que deve ser preservada por todos aqueles que conhecem o Deus verdadeiro. Deus nos ensina a cuidar bem dos viajantes e dos estrangeiros, ou seja, a sermos hospitaleiros e corteses com todos. É censurável a nação que não trata bem seus visitantes, e condenável a casa que negligencia seus hóspedes. Essa é a vontade de Deus: que todos os homens pratiquem a caridade e a hospitalidade.
GEN 18:5 E trarei um bocado de pão, e confortai vosso coração; depois passareis; pois por isso passastes perto de vosso servo.
GEN
18:6 Então Abraão foi depressa à tenda a Sara, e lhe disse: Toma logo
três medidas de flor de farinha, amassa e faze pães cozidos debaixo das
cinzas.
GEN 18:7 E correu Abraão às vacas, e tomou um bezerro tenro e bom, e deu-o ao jovem, e deu-se este pressa a prepará-lo.
GEN
18:8 Tomou também manteiga e leite, e o bezerro que havia preparado, e o
pôs diante deles; e ele estava junto a eles debaixo da árvore; e
comeram.
Abraão oferece um modelo sublime de hospitalidade, tratando os três visitantes da mesma forma que ele gostaria de ser tratado — um mandamento fundamental na relação com Deus.
É preciso, contudo, ter cautela com interpretações forçadas. Há quem associe esta passagem à doutrina da Trindade, argumentando que os três indivíduos seriam as três Pessoas divinas. Esta é uma interpretação equivocada e sem respaldo no texto. A leitura cuidadosa de Gênesis 18 e dos capítulos seguintes revela que os visitantes eram anjos, e a manifestação de Deus (a Teofania) ocorria através de um deles.
GEN 18:9 E lhe disseram: Onde está Sara tua mulher? E ele respondeu: Aqui na tenda.
GEN 18:10 Então disse: De certo voltarei a ti segundo o tempo da vida, e eis que Sara, tua mulher, terá um filho.
O capítulo 17 de Gênesis desenvolve o tema central da vinda do filho prometido a Abraão, e nos ensina a importância daquela longa espera. Uma pequena reflexão sobre o assunto revela uma verdade: a extensão da espera torna o triunfo mais significativo, mais memorável e mais querido. O que é alcançado com sacrifício e paciência é, subsequentemente, cuidado e preservado com maior zelo.
GEN 18:11 Abraão e Sara eram idosos, avançados em dias; a Sara já havia cessado o costume das mulheres.
Sara, já com mais de noventa anos, estava na condição biológica de pós-menopausa, o que era evidente pela cessação do ciclo menstrual. De acordo com a medicina atual, a concepção natural é impossível após a interrupção definitiva da ovulação, que ocorre com a menopausa — fase tipicamente estabelecida entre os 48 e 51 anos, conforme apontado por especialistas como a ginecologista Drª. Sheila Sedicias. Esse fato estabelece que a gravidez de Sara ocorreu estritamente pela intervenção sobrenatural de Deus.
GEN 18:12 Riu, pois, Sara consigo mesma, dizendo: Depois que envelheci terei prazer, sendo também meu senhor já velho?
GEN 18:13 Então o SENHOR disse a Abraão: Por que Sara riu dizendo: Será verdade que darei à luz, sendo já velha?
GEN 18:14 Há para Deus alguma coisa difícil? Ao tempo assinalado voltarei a ti, segundo o tempo da vida, e Sara terá um filho.
GEN 18:15 Então Sara negou dizendo: Não ri; pois teve medo. Mas ele disse: Não é assim, mas riste.
É natural duvidar diante de algo sobrenatural, mas esse é precisamente o cenário que Deus deseja. Foi o Senhor quem prometeu um filho a Abraão, e essa promessa tinha que ser humanamente impossível, algo que transcendesse a compreensão e a capacidade humana. Deus Se manifesta dessa forma, pois a Sua Palavra e o Seu poder excedem todo o entendimento humano.
GEN 18:16 E os homens se levantaram dali, e olharam até Sodoma: e Abraão ia com eles acompanhando-os.
GEN 18:17 E o SENHOR disse: Encobrirei eu a Abraão o que vou a fazer,
GEN 18:18 Havendo de ser Abraão em uma nação grande e forte, e havendo de ser benditas nele todas as nações da terra?
Deus possuía uma profunda intimidade com Abraão, Seu servo. Por isso, o Senhor não agiria sem antes compartilhar Seus planos com Seu profeta. A passagem dos anjos pela tenda de Abraão não foi um acaso. Vejo este evento como um teste de hospitalidade para Abraão e, de certa forma, para as pessoas que viviam na região, próximas a Sodoma e Gomorra, preparando o cenário para o juízo que se seguiria.
GEN
18:19 Porque eu o conheci, sei que mandará a seus filhos e a sua casa
depois de si, que guardem o caminho do SENHOR, fazendo justiça e juízo,
para que faça vir o SENHOR sobre Abraão o que falou acerca dele.
GEN
18:20 Então o SENHOR lhe disse: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra
se aumenta mais e mais, e o pecado deles se agravou em extremo,
GEN 18:21 Descerei agora, e verei se consumaram sua obra segundo o clamor que veio até mim; e se não, eu o saberei.
O Senhor atende ao clamor dos justos. Sodoma e Gomorra eram cidades de grande riqueza e poder, mas essa prosperidade gerou crueldade e ganância, corrompendo profundamente o coração de seus moradores. As atrocidades e os pecados cometidos ali haviam atingido um nível tal que a injustiça chegou até Deus, tornando a intervenção divina não apenas necessária, mas inevitável.
GEN 18:22 E apartaram-se dali os homens, e foram até Sodoma: mas Abraão estava ainda diante do SENHOR.
GEN 18:23 E aproximou-se Abraão e disse: Destruirás também ao justo com o ímpio?
GEN
18:24 Talvez haja cinquenta justos dentro da cidade: destruirás também e
não perdoarás ao lugar por cinquenta justos que estejam dentro dela?
GEN
18:25 Longe de ti o fazer tal, que faças morrer ao justo com o ímpio e
que seja o justo tratado como o ímpio; nunca faças tal. O juiz de toda a
terra, não há de fazer o que é justo?
GEN 18:26 Então respondeu o
SENHOR: Se achar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, perdoarei a
todo este lugar por causa deles.
A onisciência de Deus implica que, ao revelar Seu plano a Abraão, Ele já antecipava a reação do patriarca. Ló, seu sobrinho, morava ali. Abraão não estava defendendo Sodoma, pois sabia que o juízo do Senhor era justo e que o povo daquela região era profundamente perverso. Mas, por compaixão e afeto familiar, era natural que Abraão tentasse negociar com Deus e, assim, contornar a situação para salvar o maior número de pessoas, a começar por seu parente.
GEN 18:27 E Abraão replicou e disse: Eis que agora que comecei a falar a meu Senhor, ainda que sou pó e cinza:
GEN
18:28 Talvez faltem de cinquenta justos cinco; destruirás por aqueles
cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se achar ali quarenta e
cinco.
GEN 18:29 E voltou a falar-lhe, e disse: Talvez se acharão ali quarenta. E respondeu: Não o farei por causa dos quarenta.
GEN
18:30 E disse: Não se ire agora meu Senhor, se falar: talvez se achem
ali trinta. E respondeu: Não o farei se achar ali trinta.
GEN 18:31 E
disse: Eis que agora que me empreendi em falar a meu Senhor: talvez se
achem ali vinte. Não a destruirei, respondeu, por causa dos vinte.
GEN
18:32 E voltou a dizer: Não se ire agora meu Senhor, se falar somente
uma vez: talvez se achem ali dez. Não a destruirei, respondeu, por causa
dos dez.
GEN 18:33 E foi-se o SENHOR, logo que acabou de falar a Abraão: e Abraão se voltou a seu lugar.
Abraão lança sua intercessão por Sodoma, e Deus o atende, concordando em poupar a cidade se encontrasse ali dez pessoas justas. Um detalhe importante é a declaração de Deus no versículo 21: “...e verei se consumaram sua obra segundo o clamor que veio a mim...”. Isso indica que o Senhor não agiria impulsivamente. A visita era, na verdade, um teste e uma investigação antes de qualquer ação. O juízo de Sodoma seria, portanto, justo e fundamentado, de modo que os atos dos próprios habitantes é que determinariam e confirmariam a sentença de destruição.
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Notas de uso, e referencias de pesquisa
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- Referência externa, Teofania, Enciclopédia livre.
- Referencia externa, Artigo sobre menopausa, Tua saúde.
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