Jacó e Esaú uma profetizada disputa entre irmãos
Rebeca era estéril e teve sua condição mudada, sendo curada e passando a ter filhos. Milagres são presentes em todos os patriarcas; a natureza carnal de suas vidas não permitiria que nem Sara nem Rebeca tivessem filhos, mas elas tiveram suas vidas transformadas por Deus. Isso demonstra algo que se tornaria marca entre seus descendentes: Deus pode curar e mudar uma história.
Ela não só teria um filho; seria mãe de duas grandes nações que, desde o ventre, lutavam entre si, e os embates entre Jacó e Esaú foram revelados por Deus antes mesmo do nascimento dos irmãos.
GEN 25:22
"E os filhos se combatiam dentro dela; e disse: Se é assim para que vivo eu? E foi consultar ao SENHOR.
E respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há em teu ventre, E dois povos serão divididos desde tuas entranhas: E um povo será mais forte que o outro povo, e o maior servirá ao menor."
1 - A venda da primogenitura
Nos tempos bíblicos, especialmente no período dos patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó), a primogenitura tinha grande importância, pois garantia ao filho mais velho direitos de herança, liderança familiar e bênçãos espirituais transmitidas pelo pai. Esse conceito não era apenas econômico, mas também religioso, estando ligado às promessas divinas feitas a Abraão e à sua descendência.
Direito de herança:
- O primogênito recebia uma porção dobrada dos bens do pai (Deuteronômio 21:17).
- Autoridade familiar: Ele se tornava o chefe da família após a morte do pai, assumindo responsabilidades sociais e espirituais.
Embora essa fosse a normalidade, podemos notar que Deus não estava limitado às normas humanas: escolheu Isaque em vez de Ismael, Jacó em vez de Esaú, Davi em vez de seus irmãos mais velhos, assim como José. Essa perspectiva bíblica é demonstrada na obra Instituições de Israel no Antigo Testamento, de Roland de Vaux, historiador, arqueólogo e sacerdote dominicano francês, que foi diretor da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém.
De Vaux descreve a estrutura familiar e jurídica de Israel antigo. Ele mostra que a primogenitura tinha base legal e religiosa, mas que a Bíblia apresenta casos em que Deus redefine quem é o verdadeiro herdeiro da promessa, demonstrando que Ele não está submetido às leis humanas.
Embora Esaú fosse o mais velho, não demonstrava responsabilidade e pouco valorizava sua posição de primogênito. Deus valoriza virtudes; Jacó mostrou ser um homem perseverante, disposto a lutar por seus sonhos. Não nascemos sábios, fortes ou salvos, mas, ao nos prepararmos — estudando, refletindo e buscando a presença de Deus — podemos adquirir sabedoria, força e salvação.
2 - O poder da palavra, que pode pronunciar bênçãos e maldições
A passagem em que Isaque é enganado por Jacó revela algo já demonstrado em outras passagens de Gênesis: o poder das palavras que saem de nossa boca. Isaque abençoou seu filho, pronunciando bênçãos sobre sua vida, e essas bênçãos certamente se cumpririam.
Mesmo quando Isaque soube que havia sido enganado e que não havia abençoado seu filho favorito e primogênito, Esaú, em nenhum momento ele retirou a bênção. Isaque já tinha conhecimento da profecia anterior de que haveria disputa entre Jacó e Esaú, e a bênção que proferira sobre Jacó não poderia ser anulada; independentemente do contexto, suas palavras não entrariam em contradição.
"GEN 27:33 - 35E Estremeceu-se Isaque com grande estremecimento, e disse: Quem é o que veio aqui, que agarrou caça, e me trouxe, e comi de tudo antes que viesses? Eu o abençoei, e será bendito(...) E ele disse: Veio teu irmão com engano, e tomou tua bênção.
GEN 27:38 E Esaú respondeu a seu pai: Não tens mais que uma só bênção, meu pai? Abençoa também a mim, meu pai. E levantou Esaú sua voz, e chorou.
GEN 27:39 Então Isaque seu pai falou e disse-lhe: Eis que será tua habitação sem gorduras da terra, E sem orvalho dos céus de acima;
GEN 27:40 E por tua espada viverás, e a teu irmão servirás: E sucederá quando te dominares, Que descarregarás seu jugo de teu pescoço.
GEN 27:41 E odiou Esaú a Jacó pela bênção com que lhe havia abençoado, e disse em seu coração: Chegarão os dias do luto de meu pai, e eu matarei a Jacó meu irmão."
Essas passagens nos ensinam algo de valor espiritual. Hoje perdemos esse valor de guardar a boca. Muitas vezes, por influência da cultura pecaminosa do mundo, xingamos, reclamamos, demonstramos falta de confiança e negatividade, e verbalizamos isso. Essas ações são grandes erros que nos boicotam, pois nossas palavras têm poder. Quando dizemos que não vai dar certo ou desejamos verbalmente o mal ao próximo, estamos proferindo maldições; quando abençoamos o próximo, estamos distribuindo bênçãos ao mundo. Algo semelhante aconteceu com Noé, quando fez o inverso e amaldiçoou seu filho Cam.
3 - A ida de Jacó a Padã Aram
Essa passagem mostra que Rebeca suspeitava que Esaú mataria Jacó; para protegê‑lo, ela manda o filho para a terra de Padã‑Arã. A desculpa que usou para enviá‑lo sem resistência do pai foi que não queria que ele se casasse com mulheres cananeias. Embora essa preocupação pudesse ter fundamento, claramente funcionou como pretexto, pois Abraão teve outros filhos cujos descendentes poderiam servir de cônjuges.
Observa‑se que Esaú seguiu caminho semelhante: casou‑se com uma filha de Ismael e com outras mulheres que, pelo contexto, parecem não ser cananeias, mas sim da sua própria tribo ou de grupos próximos que não eram de tribos cananeias. Lembre‑se de que Ismael e Ló também pertenciam a culturas e tradições próximas às de Abraão e eles também tiveram descendentes.
4 - O sonho de Jacó
Jacó sonhou com uma escada que pode representar o futuro de seus descendentes; seu simbolismo também aponta para um caminho a ser seguido ao longo da vida: anjos desceriam e subiriam, e Jacó abriria caminho para o surgimento de profetas poderosos que influenciariam a cultura e o destino da humanidade — por meio dele viriam homens como Isaías, Moisés, Daniel e outros.
Jacó conhecia a existência de Deus, mas até então não o havia experimentado pessoalmente; agora seria visitado pelo próprio Deus. Jacó foi escolhido por Deus, algo que transcende a vontade humana. Isaque, de forma carnal e por favoritismo, tentou dar a bênção a Esaú, mas Deus tinha outros planos: o desígnio divino estava em Jacó, e assim ele iniciaria sua jornada rumo à um plano messiânico maior, que salvaria toda a humanidade.
5 - Jacó na casa de Labão
Jesus ensinou sobre a lei da semeadura, também conhecida como lei do retorno, e essa passagem ilustra essa lei: Jacó, que enganara seu irmão e seu pai, agora era enganado por Labão, seu tio, que em vários momentos da narrativa o boicotou e traiu.
Por meio dessas experiências — em que, depois de ter enganado, Jacó passou a ser enganado — Deus lhe ensinava o caminho da paz: guerras e disputas não são as melhores soluções; em conflitos familiares ninguém sai vencedor. Depois de ter sido praticamente escravizado por seu parente, Jacó planejou fugir; em vez de confrontar Labão e dizer a verdade, agiu às escondidas. A Bíblia mostra que agir em segredo raramente é a melhor alternativa: isso apenas intensificou a hostilidade do tio, que, não fosse a intervenção divina — quando Deus apareceu a Labão em sonhos —, certamente teria levado Jacó cativo ou até o matado.
6 - Jacó luta com o anjo
Essa passagem pode ser entendida como algo que não devemos ver apenas com os olhos físicos. Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e, se de fato o é, devemos aceitar que seus textos não se tratam apenas da descrição física de um homem lutando contra outro, mas que só podem ser plenamente compreendidos pela dimensão espiritual.
O primeiro elemento a considerar é que a luta ocorreu durante a madrugada e durou até o amanhecer. Todas as lutas verdadeiramente decisivas na vida começam em total escuridão; essa escuridão representa a própria condição humana, e a luta simboliza nossa batalha pela salvação. O processo de conversão de Jacó envolve um homem que conhecia a Palavra de Deus pelo que aprendera com seu pai Isaque, mas que cometeu inúmeros erros ao longo da vida — ainda que acreditasse agir por uma boa causa. Ele enganou o irmão e o pai; na casa do tio foi enganado e provado. Ao retornar à terra onde nascera, cercado pelo medo e pela dúvida, Jacó lutava. Essa luta representa o fim do processo de conversão: o homem que antes relutava em aceitar a verdade do Eterno agora se rende a Deus, dependendo unicamente dele e pedindo sua bênção.
Ali, naquele momento, Jacó venceu e recebeu a bênção; morreu o homem chamado Jacó e nasceu o homem chamado Israel.
7 - A reconciliação entre Jacó e Esau
O capítulo 33, que trata da reconciliação dos dois irmãos, não é sobre a salvação de Jacó, mas sim sobre a salvação de Esaú. Ele, que outrora jurara vingança contra o irmão, agora tinha a chance de pôr isso em prática, conforme demonstra o versículo:
"GEN 33:1 E levantando Jacó seus olhos, olhou, e eis que vinha Esaú, e os quatrocentos homens..."
Essa quantidade de homens indica claramente hostilidade. Pelo contexto dos capítulos anteriores, Jacó dispunha de forças limitadas — apenas alguns servos, seus filhos e mulheres —; num combate real seria um massacre, pois Esaú trazia ira no coração. Contudo, a Bíblia relata que, no momento crucial, Esaú não escolheu as armas: escolheu o amor; abraçou e beijou o irmão e, posteriormente, chorou. Esaú optou pela reconciliação, não pela vingança o coração dele transbordou de amor, esse é um paralelo que existe na palavra, que demos trazer para dentro de nós.
As virtudes apresentadas na casa de Abraão merecem nossa atenção: a fé e a compaixão de Abraão, evidentes quando intercedeu por Sodoma e Gomorra; a fidelidade e o amor de Isaque, que honrou sua palavra mesmo quando enganado; a coragem e a resiliência de Jacó, que não aceitou passivamente o destino e lutou pelo que queria; e Esaú, que escolheu o amor. Todas essas qualidades provêm de Deus e refletem semelhanças entre os filhos e o Pai celestial, pois o Senhor é forte (Isaías 9:6), fiel (2 Timóteo 2:13), amor (1 João 4:8) e compassivo (Salmo 145:8). Todas essas virtudes apresentadas pelo contexto, são reflexos que Deus nos tornam semelhantes a Deus.
8 - José, Introdução aos capítulos (Capítulos 30-50)
José, favorito entre os doze filhos de Jacó, recebeu do Senhor sonhos que indicavam sua liderança sobre a família. Ao revelar esses sonhos, despertou a inveja dos irmãos, que o venderam como escravo ao Egito. Mesmo na adversidade, Deus esteve com José; após provações e tentações, ele foi elevado a segundo no comando do Egito. Quando seus irmãos vieram buscar alimento, acabaram se curvando diante dele, cumprindo‑se os sonhos. As experiências de José fazem parte do plano de redenção: seu sofrimento levou à exaltação e à preservação da família durante a fome, preparando‑a para tornar‑se uma grande nação (ver Gênesis 45:7–8; 50:20).
Os principais pontos da vida de José são:
• Seu amor por seu pai (37:3)
• Invejado por seus irmãos (37:4)
• Vendido aos Ismaelitas (37:18-36)
• Alcançou favor do seu senhor (39:1-6)
• Tentado pela esposa do seu mestre (39:7-19)
Essa passagem, em específico, nos ensina algo que devemos lembrar: José foi tentado e não cedeu à tentação, mas acabou preso por uma falsa acusação.
O texto é extremamente sensível, principalmente para homens. Certa vez conheci um jardineiro que foi denunciado por abuso — a acusação dizia que ele teria forçado a própria neta. Imediatamente foi preso e, quando a notícia chegou ao local onde eu trabalhava, foi condenado por todos antes mesmo do juiz; diziam que ele era sem vergonha, que parecia um canalha, desejavam que morresse na cadeia e quase todos lhe desejavam desgraças.
Após alguns dias, a polícia percebeu que o relato da menina era contraditório e, sob pressão, ela acabou revelando a verdade: o jardineiro apenas chamou a atenção da neta, e ela, irritada, inventou a história e acusou o próprio avô de estupro.
Quando ele reapareceu na empresa, a opinião das pessoas mudou rapidamente; os mesmos que o condenaram passaram a dizer que nunca acreditaram e que sempre souberam de sua inocência.
A história de José nos serve de lição: nem tudo o que ouvimos contra alguém é verdade. Por isso, como servos do Deus vivo, não devemos julgar e condenar precipitadamente; devemos permitir que Deus revele a verdade e orar para que os homens incumbidos da autoridade legal tenham sabedoria para lidar com a situação.
• Aprisionado por Potifar (39:20-41:13)
• Exaltado pelo Faraó (41:1-44)
• Não reconhecido por seus irmãos no seu primeiro encontro (42:7-44:34)
GEN 42:6 E José era o senhor da terra, que vendia a todo o povo da terra: e chegaram os irmãos de José, e inclinaram-se a ele rosto por terra.
José tinha a visão de seus irmãos ajoelhando diante deles, e assim procedeu-se, a visão foi cumprida.
• Revelado aos seus irmãos no segundo encontro (45:1-15)
• Reunido com seu pai, Jacó (46:28-34)
• Sua morte (50:22-26)
9 - Assim como seus pais, a vida de José tipifica o Senhor Jesus Cristo. Considere estes tipos:
• Seus pais o amaram: Gênesis 37:3 e João 5:20
• O ódio de seus irmãos: Gênesis 37 e Mateus 27:1, 22, 23
• Sua tentação: Gênesis 39:7-12 e Mateus 4:1
• Sua paciência no sofrimento: Gênesis 39:20-41:1 e Tiago 5:11
• Sua promoção pelo Faraó: Gênesis 41:39-44 e Marcos 16:19
• Seu casamento com uma noiva Gentia durante sua rejeição por seus irmãos: Gênesis 41:45 e Atos 15:14
• Sua revelação de si mesmo aos seus irmãos no segundo encontro: Gênesis 45:1-3 e Zacarias 12:10.
10 - A Bênção Patriarcal (Capítulo 48-50)
Gênesis encerra com Jacó abençoando os filhos de José, dando então sua bênção patriarcal aos seus doze filhos.

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